Stay The Night (24)

Well, acho que chega por hoje!

Não se esquecam que dia três vou para o sudoeste e volto dia oito!

 

much love,

xoxo,

catarina dgaf!

 


 

Capitulo Vinte e Cinco – Katie & Kaya

 

 

Mais uma vez não lhe parecia um dia feliz. Kaya estava desaparecida. Bill estava de rastos. A sua recente melhor amiga, Janet, estava também de rastos e Travis... nem aparecera nas aulas.

Mas Katie sentia-se feliz.

E a razão era muito simples.

- Katie! – ouviu uma voz doce ao fundo do corredor, enquanto fechava o seu cacifo. Sorriu e olhou em direcção á voz, sabendo perfeitamente de quem se tratava. A pequena rapariga aproximou-se de Katie e cumprimentou-a com dois beijos na bochecha. – O que vais fazer depois das aulas? – perguntou, com um sorriso doce e empolgado nos lábios.

Na verdade, Katie não tinha muito que fazer. Passava os dias em casa de volta das redes sociais e dos jogos online. Gostava imenso de combater o mal, e ser uma guerreira. No fundo, uma líder. Era uma pessoa reservada, não tendo nunca nada para dizer.

- Não sei ainda. – afirmou. – E tu, Alana?

Alana era uma rapariga morena, de olhos verdes. Provinha do Brasil, tendo um corpo muito, muito agradável. A sua pele era morena e os seus grandes olhos, sempre com um ar curioso. Uma felicidade ambulante, tal como Janet lhe chamava. Assumidamente lésbica; o que partia o coração de alguns rapazes, e causava gozo a algumas pessoas da escola.

- Vou para a minha cabana. Queres vir? – convidou. – Tenho lá bebidas, e sempre podemos falar, sem ninguém a olhar para nós. – sorriu com o seu habitual sorriso contagiante.

Katie sorriu também, timidamente. – Quem é que vai contigo? – perguntou.

- Ninguém! – exclamou Alana. – Anda lá, Katie. Precisas de te libertar! Estás sempre fechada em ti mesma e isso não é saudável! – sorriu novamente, mostrando os seus dentes brancos.

Katie aceitou o convite com todo o gosto. Seguindo para a próxima aula.

Sentou-se no seu habitual lugar e passou a aula toda a pensar naquela cabana.

Será que as pessoas imaginavam?

Tentava-se abstrair do assunto, tirando alguns apontamentos das coisas desinteressantes que a sua professora falava. Mandou algumas sms pelo meio das aulas, mas nunca sem perder a concentração na matéria. Quando, finalmente, a distracção falou mais alto, Katie deu por si a rabiscar no seu caderno palavras sem nexo. Medo. Rejeição. Damn, aquilo estava a consumi-la.

Tinha de saber mais sobre o que se passava com ela, pois se não o fizesse iria, de certeza, dar em maluca. Rabiscou mais uns pequenos desenhos, aproveitando para mandar uma mensagem a Kaya.

Katie admirava Kaya. Admirava o facto de Kaya não ter vergonha de mostrar quem era. Adorava a sua atitude. Adorava a sua beleza incondicional. Invejava a sua coragem, e o seu gelo. Rezava horas a fio por ela, quando algo de mal lhe acontecia. Katie venerava-a pois Kaya tinha sempre resposta para tudo, e não se deixava ficar, nunca. E por isso, preocupava-se imenso com ela. Mas também, Kaya era uma pessoa que espalhava charme por todo o lado, quem é que não se preocuparia? Toda a gente sentia a falta da crazy bitch da escola.

E depois o seu problema número um invadiu-lhe á cabeça. Justin. Justin era o seu grande problema. A pessoa mais fria, e mais “don’t give a fuck” – sem contar com Kaya – amava-a profundamente. A pessoa que menos parecia amar a alguém, á primeira vista, amava-a. A pessoa mais intrometida, era a pessoa que mais a amava. E isso era um problema já de há muito tempo. Tentara falar com Justin inúmeras vezes, tentara dizer-lhe que não iria resultar entre eles e que Katie não gostava... dele. Ou deles. Mas era impossível, pois a coragem era algo que lhe falhava.

Olhou para o seu caderno e deparou-se com uma folha inteira, cheia de rabiscos, bufando de seguida. “Tens de te libertar!”. Aquelas palavras ecoavam-lhe agora na cabeça, dando rumo a novos pensamentos. Katie tinha uma vontade de sair á noite completamente incontrolável, e por isso, decidira que o ia fazer. Sozinha ou acompanhada.

Alguma alma santa decidiu avisar a professora que a aula tinha terminado. Katie arrumou as suas coisas, mandou uma mensagem ao seu pai dizendo que ia chegar tarde a casa e foi rumo á porta da escola, onde tinha combinado com Alana encontrarem-se.

- A pé ou autocarro? – perguntou ansiosamente, Alana, acabando por fazer Katie dar um pulo daqueles vergonhosos. - Vamos a pé!

- Nem me deixaste responder. – bufou Katie. Mas a sua amiga já andava a passo rápido para casa.

 

Kaya corria, olhando para trás para ver se Travis ainda a perseguia. As lágrimas caiam no chão á medida dos seus passos. Damn! Ainda faltavam dois quarteirões para chegar a casa!

Ela não queria. Não queria enfrentar o presente, queria fugir o máximo dele e pensar que quando voltasse, todos já se tinham esquecido da sua presença. Preferia perder todos aqueles que a amavam, a perder-se a si própria. Travis não a parava de seguir, e Kaya já não tinha grande fôlego para continuar a correr. Parou e tentou respirar. A sua garganta estava fria, o seu corpo estava quente. Respirava ofegantemente pela boca. Porém, Travis estava acerca de três metros dela. E isso preocupava-a. Teria ela de enfrentá-lo? A ele? A Bill? Ao mundo? Não lhe apetecia. Estava á algum tempo a viver em casa de uma antiga amiga que ela conhecia, tanto que estava isolada do resto do mundo e....

Os seus pensamentos foram completamente interrompidos pelo abraço do rapaz que a perseguia. Mais cena de filme que esta? Impossível. Os dois choravam desalmadamente, os seus pequenos, frágeis e gelados corações queriam uma escapatória, mas ao mesmo tempo, queriam ficar ali. Colados um ao outro. As lágrimas estavam cada vez mais grossas e carregadas de dor.

- Porque o fizeste? – Perguntou Travis por entre as lágrimas.

Não obteve resposta. Kaya apenas deixava escorrerem-lhe as lágrimas pelo rosto.

E então Travis largou-a e olhou-a nos olhos, erguendo o peito.

- Anda comigo. – afirmou.

- Para onde?

- Para um sitio onde eu te possa contar toda a verdade.

Nem ele, nem ela sabiam a localização desse sitio. Mas nada que um gps não conseguisse descobrir. Nada que um carro não guiasse. Ela não queria, mas sabia que tinha de ir. E ele? Queria abrir-se, queria contar-lhe de todos os seus planos e de todas as suas mentiras e falcatruas. Estava mais que convencido que iria perder a amizade que tinha dela, mas estava disposto a parar de ser falso, e mostrar-lhe o seu verdadeiro “eu”. E isso não era um passo que Travis dava a alguém com prazer. Pelo contrario, Travis evitava ao máximo esse passo.

publicado por CatarinaMills às 04:07