Stay the Night (26)

Capitulo Vinte e Seis - Travis

 

Tudo o que era corpo, pele, músculos, tremia. Travis estava mais nervoso que nunca, tentando-se concentrar na sua condução, mas a verdade é que o discurso que ele tinha feito, parecia que estava todo errado, por isso, ele revia e revia aquilo que lhe queria dizer, e como, e quando e... Nem sabia. O seu coração estava a palpitar cada vez mais forte e a sua cabeça mandava-o parar. Mas não. Parecia que nada na sua vida lhe corria como ele gostava que corresse. Parecia que nada estava nas suas mãos, e que tudo lhe fugia por entre os dedos sem qualquer chance de poder apanhar o que quer que fosse.

 

Kaya permanecia calada, de cabeça virada para a janela. Parecia que fazia de propósito para o deixa incomodado! Nem sequer olhava na cara do rapaz, o que o deixava mais nervoso ainda.

Parou o carro quando chegou a um prado verde. Saiu do carro, dando a volta e abrindo a porta á rapariga. De seguida, tirou duas cadeiras de praia da bagageira do carro e colocou no chão. Pediu á rapariga, com delicadeza, para se sentar, e retirou o saco de erva do bolso. Começou por desfazer a erva, tirando as “cabeças” e de seguida, procurou as suas mortalhas castanhas por entre os bolsos e pediu a Kaya para fazer um filtro. Assim o fez. Deu uma pequena lambidela na cola da mortalha e fechou-a, finalizando assim uma ganza perfeitamente enrolada.

- Já passaram uns minutos e ainda não abriste a boca, a não ser para me pedir para sentar e para fazeres uma broca. – afirmou Kaya, notando-se a frieza na sua voz.

- Tudo a seu tempo. – Travis tentou sorrir, mas apenas lhe saiu um sorriso nervoso. Ouvindo a sua amiga a bufar como resposta. Pegou no isqueiro e acendeu o seu vicio, dando o primeiro bafo. – Kaya, em primeiro lugar queria saber porque fugiste. – afirmou. – Fiz algo de errado em Nova Iorque?

- Tu não, mas eu fiz. – respondeu Kaya, como se fosse uma lança. Travis sentiu um aperto no coração e respirou fundo:

- Achas que foi um erro?

- Neste momento, Travis, tudo aquilo que eu fiz contigo foi um erro.

Travis quase que verteu uma lágrima, mas respirou fundo de novo e acalmou-se.

- Porquê? – perguntou com a voz, quase a falhar.

Kaya não respondeu. Olhou-o nos olhos e deixou cair duas lágrimas de cada olho. Travis arregalou os olhos, levantando-se e abraçando-a.

- O que tens, Kaya? – perguntou, com a cabeça dela no seu peito. – Eu não te quero ver assim, juro! Eu ando á dias á tua procura, baldei-me ás aulas todas, não durmo em condições ultimamente, acho que mereço uma explicação. Por favor. – implorou Travis.

- Eu amo-te, Travis. – afirmou a rapariga por entre as lágrimas.

Travis sorriu e quase pulou. Se o problema era a rapariga amá-lo, então o problema estava resolvido e ela poderia viver com ele e... Largou-a e olhou-a nos olhos, ia a falar, mas a rapariga interrompeu-o, com a confusão notável na voz.

- Mas amo o Bill, também.

- What? Como é que isso é possivel?! Há sempre um que gostes mais, Kaya. Não pode haver dois! – exclamou Travis, confuso.

Kaya olhou-o nos olhos e largou-o de todo. Quebrando qualquer contacto físico com o garanhão, ou antigo garanhão. Limpou as lágrimas e fitou-o, novamente, com um olhar de perdão. O pequeno coração de Travis chorou, mas o rapaz manteu-se imóvel. Deu um bafo na ganza e entregou-a a Kaya.

- Então é isto? – perguntou ele. – Pretendes fugir e ignorar-nos aos dois como se fossemos brinquedos? – a voz de Travis parecia acusadora. – O Bill não está muito melhor que eu, Kaya. E tu estás a ser egoísta ao ponto de dizeres-me isso, e eu saber que assim que te puder em casa vais fugir.

- Não vou fugir! – exclamou a rapariga. – Mas o que pretendes que eu faça? Vá para a cama com os dois para perceber qual de vocês dois me dá mais prazer? Ou comer-vos aos dois para perceber qual dos dois me atraí mais? Como é que achas que eu vou fazer, Travis? Achas justo para vocês os dois? – perguntou a rapariga, com alguma agressevidade devido á incompreensão de Travis.

Travis calou-se, pensando numa resposta. Fechou os olhos, engoliu a seco e respirou.

- Fica com ele. – terminou.

Kaya deixou de respirar por segundos. O Travis a render-se? Se isto fosse uma situação feliz, a esta hora a rapariga estava a gargalhar, a pular e a chamar-lhe falhado. Mas não, ele não era nenhum falhado, quem tinha esse papel nesta história toda, era Kaya.

Contudo, quando parou de pensar, Travis já lhe tinha abrido a porta para ela se sentar no carro. Assim o fez sem pronunciar nenhuma palavra. O rapaz guardou as cadeiras e ligou o carro rumo a casa de Kaya. Tinha perdido. E já se tinha mentalizado disso.

 

publicado por CatarinaMills às 14:00